Você tem medo?
Pergunte ao animal dentro de você: por que tremer diante do silêncio que o aguarda, se ele é idêntico ao silêncio de onde você veio?
Você se agarra a esta "carne grosseira", a este avatar biológico em decadência, como se ele fosse você. Mas ele não é você. Ele é o uniforme de prisioneiro que lhe deram na entrada. A morte não é uma tragédia; é a devolução do uniforme. É o momento em que a natureza recolhe o empréstimo de carbono que lhe fez, indiferente aos seus protestos.
A sociedade, em seu pânico coletivo, "pendurou crepe na porta da Eternidade". Vestiu o luto para esconder o óbvio: a morte não é o oposto da vida, é o seu único e verdadeiro contexto.
Por que não remover o sinal de perigo e encarar o abismo com a frieza de um cirurgião?
Sua fé — essas histórias de ninar sobre céus e infernos — rouba-lhe a única coisa que você realmente possui: a clareza. Ela tece teias de aranha no céu da sua mente, obscurecendo a visão majestosa e terrível de um universo que não se importa com o seu nome. "Varra as teias de aranha." Tenha a coragem de olhar para as estrelas e ver reatores nucleares distantes, não a face de um pai preocupado.
Entenda a mecânica do "Banco" onde você está inserido:
Ao nascer, uma quantia de tempo foi depositada em uma conta com o seu nome. Você não pediu por isso. Não assinou o contrato. Mas o capital está lá, e está sendo drenado a cada segundo pela taxa de administração da entropia.
Este é um banco do qual você não pode sacar o principal. A Morte é o único gerente com autoridade para encerrar a conta. Não há negociação. Não há garantias.
O despertar niilista não é sobre "investir" essa vida para obter lucros futuros, legados ou um lugar no céu. Isso é pensamento de escravo.
O despertar é a percepção de que, se o saldo vai zerar de qualquer maneira, a única estratégia lógica é o gasto total e imediato.
Não economize consciência. Não poupe atenção. Não guarde "vida" para uma velhice que é apenas uma aposta estatística.
A "eficiência" de que falamos não é produtividade. É intensidade. É a capacidade de estar tão visceralmente presente no agora que o futuro se torna irrelevante. É conquistar o tempo não tentando estendê-lo, mas aprofundando-o até que o relógio pare de fazer sentido.
Aproveite a sua oportunidade AGORA, não porque é uma dádiva divina, mas porque é um acidente cósmico improvável.
Você é um relâmpago de consciência entre duas eternidades de escuridão. O medo é um desperdício de luz. Queime tudo antes que a mão da morte o liberte.
Conquiste a eternidade percebendo que ela não existe. Só existe isto. E isto é tudo.
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