segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Sidarta


Ele acumulou palavras como um faminto acumula grãos. Aprendeu os nomes de deus, do vazio e da libertação. Estudou os mapas dos sábios, as rotas que prometiam o fim do caminho. Mas a cada livro lido, a cada passo dado, o peso apenas aumentava. O conhecimento era uma bagagem, não uma bússola.

Um dia, exausto, ele abandonou tudo. Não em um gesto de raiva, mas de simples cansaço. Sentou-se sob uma árvore sem se importar com o nome dela. Observou o rio sem se lembrar de nenhuma de suas metáforas. O rio apenas corria. A árvore apenas era.

Nada ali tentava se tornar algo.

Ele percebeu que a sua busca por uma resposta era o único ruído em um universo silencioso. O problema não era a falta de um caminho. O problema era o caminhante que insistia em procurar por um.

Naquele silêncio, pela primeira vez, ele não sentiu falta de nada.

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