Eles teceram um feitiço em um pedaço de pano colorido. Deram-lhe um nome, um hino e uma história — sempre uma história de glória, sangue e sacrifício. E o ensinaram a chorar quando ele é hasteado. Este é o encantamento do nacionalismo, a mais bem-sucedida das magias de controle em massa.
Eles lhe dizem que este amor é "natural", uma extensão da sua alma, um instinto tão primordial quanto o amor pela sua família. Mas esta é a primeira fraude. A família você pode tocar. A comunidade você pode ver. A nação? A nação é uma ideia, uma abstração, uma linha imaginária desenhada no pó por homens mortos.
O nacionalismo não é um sentimento ancestral; é uma tecnologia de engenharia social. Foi a solução genial para um problema de escala: como convencer milhões de estranhos, que não compartilham nada além de um passaporte, a pagarem impostos ao mesmo mestre e a morrerem voluntariamente em guerras contra outros milhões de estranhos?
A solução foi a criação de uma tribo artificial. Um "nós".
Mas para que este novo e vasto "nós" pudesse nascer, os "nós" mais antigos e genuínos precisavam ser enfraquecidos, dissolvidos. A lealdade ao sangue foi substituída pela lealdade ao solo. A identidade de classe foi anestesiada pela identidade nacional. O trabalhador foi ensinado a sentir mais em comum com o bilionário que carrega o mesmo passaporte do que com o trabalhador do outro lado da fronteira, que compartilha exatamente a mesma luta.
Esta é a função suprema do feitiço: a grande amnésia.
O nacionalismo fabrica um inimigo externo para que você se esqueça do seu explorador interno. Ele agita a bandeira com fúria para desviar seu olhar da mão que está no seu bolso. É o truque de mágica perfeito: enquanto todos olham para a ameaça imaginária além das muralhas, a pilhagem continua, silenciosa e eficiente, dentro da cidadela.
A libertação deste encantamento não é o cinismo, mas a clareza. É a percepção de que linhas em um mapa não anulam a humanidade compartilhada. É a coragem de sentir mais solidariedade por um explorado de outra "nação" do que por um explorador da sua.
É entender, finalmente, o que aquele pedaço de pano colorido realmente representa.
A bandeira não é o símbolo da sua união. É o sudário que cobre as fraturas da sua servidão.
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